quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Cessão de direitos econômicos.

O jogador Renato Augusto, do Flamengo, teve parte de seus direitos econômicos cedido a empresários. O Flamengo abriu mão de 20% das verbas de uma futura transação para poder antecipar receitas.

Apesar do rubro-negro afirmar que só venderá o atleta pelo valor de € 30 milhões, a cessão de 20% dos direitos econômicos saiu por R$1,5 milhão. O clube ainda pretende negociar outros 20% com mais um investidor.

A cessão de direitos econômicos vem ganhando força entre os clubes brasileiros, um exemplo recente é o de Thiago Neves, do Fluminense. O ex-jogador do Paraná teve 100% dos direitos cedidos, o que causou grandes problemas jurídicos na hora da sua transferência.

Ressalte-se que direitos econômicos é diferente de direitos federativos. O clube que tem contrato com o atleta é sempre o detentor dos direitos federativos, só uma EPD (Entidade de Prática Desportiva) pode ter contrato de trabalho com atletas, e é deste contrato que derivam os direitos federativos.

Direitos econômicos são apenas uma cessão financeira, onde o investidor, ao comprar uma determinada parcela, sub-roga-se no direito de recebê-la em uma futura transferência. Teoricamente só o clube poderia decidir o futuro do atleta, mas os contratos entre clubes e investidores podem prever a concordância daqueles para concretizar uma venda, além de prever um valor mínimo para a negociação.

A cessão de direitos econômicos pode ser uma boa alternativa para antecipar receitas, mas os clubes devem se cuidar para não perder o atleta antes mesmo de vendê-lo, como aconteceu com o Paraná.

Marketing corinthiano.

A queda do Corinthians para a série B do Campeonato Brasileiro ao invés de prejudicar as receitas do clube incentivou um aumento significativo. Sabe aquela estória do símbolo chinês onde crise é igual a oportunidade, pois o Cortinthians é a prova.

O kit torcedor, com a camisa que diz "nunca vou te abandonar", rendeu R$ 1 milhão aos cofres do Timão. O kit contem camisa, adesivo e pulseira com os mesmos dizeres de incentivo. Agora o clube segue os passos do Flamengo para aumentar as receitas com novas ações.

A primeira dessas é o projeto de TV online criado pelo ex-diretor da Globo, José Bonifácio Sobrinho, o Boni, para a dupla. A FlaTV, por exemplo, já iniciou suas operações na última semana e a TV Timão está na reta final para também ser lançada. No início o acesso será gratuito, mas no futuro a mensalidade será de R$ 10 para ter acesso aos conteúdos exclusivos.

O marketing do Corinthians vem dando show nestes últimos meses. Que sirva de exemplo para os outros clubes brasileiros. Afinal, torcedor é consumidor, chega de passar o pires, está na hora de lucrar de verdade.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Flamengo: Depois da Petrobrás, a ameaçada é a Nike.

O Flamengo anunciou que pode romper com a Petrobrás para buscar novos patrocinadores (ver post anterior). Agora ameaça romper também com a fornecedora de materiais esportivos, a poderosa Nike. Segundo informações da Máquina do Esporte, o clube recebeu uma proposta significativamente maior que o atual contrato de R$7,5 milhões.

O vice-presidente de marketing do clube carioca confirmou a notícia e disse que a Nike solicitou o envio de uma nova proposta para renovar com o clube. Ao que parece, a atual patrocinadora deve cobrir a proposta, afinal, perder o Flamengo é um passo atrás para uma empresa que só pensa em crescer (comprou a Umbro recentemente).

A Nike é patrocinadora dos dois clubes de maior torcida no Brasil, Flamengo e Corinthians.

Flamengo quer rever patrocínio.

Depois de ver o Corinthians anunciar um patrocínio de quase R$20 milhões, o Flamengo resolveu ir ao mercado para ouvir propostas melhores que a da Petrobrás, atual patrocinadora, que investiria R$15,7 milhões. Detalhe, o Corinthians foi rebaixado à série B do Campeonato Brasileiro.

O Flamengo é o clube de maior torcida do Brasil, o que lhe dá condições de exigir o maior patrocínio do futebol brasileiro. Além do mais, o patrocínio da Petrobrás, empresa estatal, está vinculado à comprovação de quitação dos débitos fiscais, o que fez com que a verba de 2007 só fosse paga no fim do ano.

Os patrocínios a clubes vêm aumentando a cada dia, por isso, nada mais lógico que os clubes procurem patrocinadores mais rentáveis a cada ano. O Flamengo pode, e deve, lucrar o máximo possível com a força da sua torcida.

Escrevi sobre os patrocinadores recentemente, leia:
http://extracampo.blogspot.com/2007/12/os-patrocinadores.html

Técnicos X CREF

O Conselho Regional de Educação Física pediu ao treinador Zé do Carmo, do Santa Cruz, ex jogador, que se inscreva no CREF para garantir sua atuação no Campeonato Pernambucano. A exigência do conselho é baseada na Lei 8650/93, que regulamenta a atuação dos Treinadores/Tecnicos de Futebol.

O artigo 3º assim determina:
"Art. 3º O exercício da profissão de Treinador Profissional de Futebol ficará assegurado, preferencialmente:
I - aos portadores de diploma expedido por Escolas de Educação Física ou entidades análogas, reconhecidas na forma da Lei;
II - aos profissionais que, até a data do início da vigência desta Lei, hajam, comprovadamente, exercido cargos ou funções de treinador de futebol por prazo não inferior a seis meses, como empregado ou autônomo, em clubes ou associações filiadas às Ligas ou Federações, em todo o território nacional."

Zé do Carmo não terá grandes problemas, já que se enquadra no inciso II do artigo supra. Mas, vejam que a lei usa o termo "preferencialmente", de onde se entende que a profissão não é exclusiva dos inscritos no tal conselho.

A atuação de fiscais do CREF já foi considerada ilegal e arbitrária por diversos juristas desportivos. Recentemente foi concedida uma liminar assegurando a atuação dos profissionais na Copa São Paulo de júniors. Assim, o Juiz Federal impossibilitou a ação arbitrária do CREF, assegurando a liberdade de exercício da profissão a treinadores não inscritos no conselho.

Não recomendo a Zé do Carmo que deixe de fazer a inscrição, o melhor é sempre evitar os problemas. Mas, que fique claro o direito e a liberdade profissional deste trabalhador, independente das exigências do CREF.

Estádios.

Depois da tragédia na Fonte Nova em Salvador, o Ministério público e outras organizações abriram os olhos para o problema. Agora, vistorias vêm sendo realizadas em quase todos os estádios antes do início dos campeonatos estaduais.

Em Alagoas, o estádio Rei Pelé, em Maceió, foi interditado junto com outros dois. Em Pernambuco o MP solicitou obras nas três grandes praças esportivas da capital, e promete interdições caso as exigências não sejam atendidas.

Melhor seria que a tragédia na Bahia não tivesse acontecido, mas, antes tarde do que nunca, com as medidas tomadas novas tragédias serão evitadas. E não adianta reclamar, é melhor que se interdite logo, para o bem das torcidas.

O Brasil parou no tempo. Depois da construção dos estádios pouco foi feito, apenas ampliações, nada de modernizações. Enquanto no resto do mundo os estádios vêm melhorando para acrescentar conforto e segurança, no Brasil, só agora o despertador tocou.

Independente da Copa do Mundo, investir nos nossos estádios deve ser prioridade. Segurança e conforto não são luxos, são necessidades do torcedor.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

De novo as Cláusulas de Rescisão (ou cláusula penal).

Uma decisão do TRT de São Pãulo vai de encontro ao entendimento do STJ e mostra que a discussão sobre a Cláusula Penal ainda está aberta. O acórdão nega a bilateralidade da cláusula e a atribui apenas em favor do clube.

Um atleta, que atuou pelo Palmeiras entre 2000 e 2004 e foi dispensado pelo clube, entrou com ação contra o antigo empregador pedindo salários e outras verbas atrasadas, além do pagamento de R$ 1,3 milhão correspondente à cláusula penal prevista no contrato.

O tribunal decidiu pelo improvimento do último pedido, condenou o clube apenas ao pagamento das verbas atrasadas. O tribunal entendeu a referida cláusula como unilateral, devida pelo atleta ao clube quando rescindido o contrato. A alegação é de que tal verba diz respeito a uma compensação pelos investimentos do clube.

O STJ entende que a cláusula é bilateral, sendo devida por quem quer que dê fim ao contrato. Esta é a maior polémica atualmente entre os juristas desportivos. Sem me aprofundar demasiadamente, discordo da bilateralidade da multa, não acredito que esta fosse a intenção do legislador. Mas, a falha na redação do art. 28 da Lei Pelé (9615/98) favorece o entendimento do STJ.

Já havia tratado o assunto anteriormente, leia:

Projeto Pão de Açúcar.

O atacante Rafael Martins, que marcou 7 gols na goleada do Grêmio sobre o Ypiranga, é fruto de um clube paulistano que investe em formação de atletas desde 2003. O atleta foi emprestado ao Grêmio para disputar a Copa São Paulo de futebol júnior.

O clube, que pretende ser referência na formação de atletas, é um investimento do empresário Abílio Diniz. Só esta informação já é o suficiente para entender a seriedade do projeto. O clube se concentra apenas em formar jovens atletas. Rafael é o primeiro fruto do projeto, ele passou por uma peneira de 64 mil crianças, onde 120 foram selecionadas.

Este projeto mostra que investir nos jovens atletas pode mesmo ser um grande negócio. Vários empresários já estão interessados no jovem atacante. A copinha mostra uma mudança no mercado futebolístico, além dos clubes, vários empresários aparecem querendo comprar, vender, emprestar e, claro, lucrar com as futuras estrelas.

A atuação de empresários aumenta o mercado de compradores, mas traz um risco ao esporte, tornar-se um campo aberto a mercenários. Para os clubes formadores o investimento de empresários é lucrativo e deve ser explorado. Investir nos jovens vale à pena e deve ser uma aventura bastante lucrativa, quem prova é o Pão de Açúcar.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Contrato por prazo indeterminado?

Na entrevista concedida pelo atacante Kuki ao Jornal do Commercio (6 de janeiro) uma pergunta gerou dúvidas:

JC – O seu contrato com o Náutico é de tempo indeterminado. Isso significa que você encerrará a carreira no clube?
KUKI – Enquanto Deus me der forças, vou continuar trabalhando, sendo o mesmo atleta, procurando dar o meu melhor para ajudar meus companheiros. Por enquanto, vou jogando. Não penso na idade para encerrar a carreira. Claro que vai chegar a hora de parar. Mas procuro trabalhar só pensando no dia seguinte, não pensando em parar.

Ora, não há contrato de trabalho desportivo por tempo indeterminado. Assim dispõe a Lei Pelé (9.615/98): Art. 30. O contrato de trabalho do atleta profissional terá prazo determinado, com vigência nunca inferior a três meses nem superior a cinco anos.

Sendo assim, alguém errou, o repórter, o atleta ou o clube. É impossível que o contrato seja por tempo indeterminado, seria contra a lei. Se o contrato for de longo prazo e, por isso, disseram ser por tempo indeterminado, mesmo assim, houve um erro na terminologia. Jamais poderia se falar em contrato por tempo indeterminado entre atleta e clube.

Quem souber o motivo deste erro favor informar.

Pré-temporada / Risco de lesões.

O calendário do futebol brasileiro sofre de um problema sério, a falta de uma pré-temporada. Para a maioria dos clubes o tempo de preparação é muito curto, uma vez que os campeonatos estaduais começam já no mês de janeiro.

O ideal seria ter 30 dias de pré-temporada efetivamente, tempo necessário para uma melhor preparação física dos atletas. A crítica sobre o calendário ganha força na voz dos médicos, fisiologistas e preparadores físicos. A falta de tempo para uma preparação física adequada gera um alto risco de lesões aos atletas.

O médico do Sport, Stemberg Vasconcelos, em entrevista ao JC (6 de janeiro), concorda que os riscos aumentam com tão pouco tempo de preparação. "O espaço de dez dias seria apenas para uma adaptação ao trabalho, para os testes. Os riscos de lesões é certo com o esforço físico. Afinal, o time vai estrear em uma competição oficial com a obrigação de vencer". O médico ainda completa: "Uma pré-temporada é uma preparação para todo o ano. Dez dias não é uma pré-temporada".

Além de aumentar os riscos de lesões, a falta de tempo para preparação prejudica os clubes de diversas formas, desde a contratação de atletas para disputar os estaduais até o entrosamneto necessário para integrar as novas peças no grupo. Cabe às federações e aos clubes procurarem novas idéias para mudar este cenário.

Eu já havia comentado a falta de pré-temporada no Brasil, leia:
http://extracampo.blogspot.com/2007/08/pr-temporada.html

Pesquisa de fim-de-ano (encerrada).

As enquetes de fim-de-ano se encerraram, obrigado a todos que votaram.

1. Como foi o desempenho do seu time em 2007?
O torcedor é exigente, a maioria definiu o desempenho como "regular" (19), em segundo vem o conceito "bom" (12), em terceiro "péssimo" (8). Apenas 2 pessoas votaram na opção "sou São Paulo", compreensível, uma vez que a maioria dos leitores do Extracampo é de Pernambuco.

2. O que você espera de 2008?
Claro, a maioria quer mesmo é "ser campeão de tudo" (20), depois a preferência é "classificar para alguma competição internacional" (13), logo depois o desejo é "vencer o estadual" (12) e em último "permanecer ou voltar à série A" (4). Parece que as competições internacionais ganham mais prestígio, mas os estaduais não perdem importância, muito devido às rivalidades locais.

3.O Brasileirão.
A maioria achou "justo" (12), seguido de perto pela opção "emocionante" (11), alguns acham que "faltou qualidade" (8), poucos ainda "querem uma final" (2). Pelo visto, os pontos corridos vêm se consolidando, a enquete reflete bem a realidade do campeonato, foi muito justo e muito emocionante.

4. Você foi ao estádio?
A grande maioria diz que foi "19 ou mais vezes" (21), alguns foram apenas "uma ou duas vezes" (6), outros admitem que "não foram" (5), poucos foram "apenas a grandes jogos" (2). Pelo visto, o aumento na média de público está corroborado pela pesquisa. Espero que em 2008 seja ainda melhor.

5. Como foi a sua torcida?
"Uma grande massa" (13), "fiéis torcedores" (12), "que torcida?" (2), "Mengo" (1). Esta enquete completa a anterior, e a falta de torcedores do Flamengo é pelo mesmo motivo que mencionei na 1ª enquete. Podemos dizer que as torcidas são mesmo uma grande massa de fiéis torcedores.

6. Qualifique seu dirigente.
"Competente" (13), "um bando de ladrões" (6), "razoável" (5), "super profissional" (5). A maioria parece satisfeita com seus dirigentes, mas muitos ainda pensam que o clube é gerido por desonestos. Infelizmente a opção "super profissional" ficou em último, quem sabe um dia será a primeira.

7. Copa do Mundo 2014.
"Vamos dar show" (11), "estou preocupado com o custo" (8), "Vai ser uma vergonha" (5), "Se o Brasil vencer, tudo bem" (3). A maioria parece otimista quanto à Copa, mas o custo também preocupa bastante. Claro, todos querem ver o Brasil campeão, mas a organização da Copa parece ser a maior preocupação dos brasileiros.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Ações na justiça contra o Nautico.

Dois jogadores acionaram a justiça contra o Clube Nautico Capibaribe, Everaldo e Elicarlos. O primeiro tem contrato com o clube até Junho, mas alega haver uma dívida de 4 meses de salários e outros tantos de FGTS, pede, então, a liberação para assinar com o Marília.

Já o segundo foi vendido em 2007 para o Cruzeiro, o jogador já assinou com o clube mineiro, assim, a ação que move na justiça não requer uma liberação, tenta apenas inviabilizar a indenização a que o Nautico teria direito na venda.

O clube nega haver qualquer dívida considerável com os atletas. As dúvidas só serão sanadas quando a sentença for prolatada. Mas, à primeira vista, as ações parecem oportunistas. Virou moda, qualquer atraso de salários está virando motivo para que atletas acionem os clubes. O direito dos atletas é inegável, mas deve ser exercido com mais cautela.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

O Nautico aumentou o valor da mensalidade dos sócios.

Agora o sócio do Nautico pagará R$ 60 por mês, um aumento de R$ 10 na mensalidade. Alguns podem achar o valor salgado demais, como o jornalista Marcelo Cavalcante, que aconselha a criação de outra categoria de sócio, com preços mais acessíveis.

Mas, antes de discutir o preço da mensalidade, devemos analisar os benefícios e comparar os três clubes rivais da cidade. No Nautico, o maior beneficio é a entrada gratuita nos jogos do time, além da utilização da sede social do clube.

No Santa Cruz há diversos tipos de sócio, o mais baixo tem desconto nos ingressos, a categoria intermediária tem direito a voto, a mais alta, que paga cerca de R$ 50, mesmo valor do Nautico antes do aumento, tem acesso livre aos jogos.

No Sport, o valor da mensalidade é R$ 35, mas os direitos do sócio se restringem à utilização da sede e desconto de 50% nos ingressos. Diferente dos outros dois clubes, na Ilha do Retiro o sócio não entra de graça.

Concluindo, vemos que o custo benefício varia, apenas no Santa há diversas classes de sócios. Apenas o Sport não possui a entrada gratuita aos sócios. E o Nautico oferece beneficios, mas não há opções mais baratas. A forma do Santa Cruz parece ser a mais bem feita, e o conselho que dou aos clubes é o mesmo, criar diversas categorias de sócios, mais baratos no Nautico, sem direito à entrada gratuita, e no Sport, a criação de uma classe, mais cara, com o benefício da entrada livre nos jogos.
O poder aquisitivo dos torcedores varia muito, na proporção da desigualdade social brasileira. A criação de diversos tipos de sócios é o reconhecimento da diversidade. Este é o primeiro passo para melhorar a exploração comercial dos torcedores.

Incentivo ao esporte com isenção no IPTU.

O prefeito do Recife sancionou duas leis que criam incentivos ao esporte através de isenção no IPTU. A primeira diz respeito aos clubes sociais que atuem junto a comunidades carentes, estes terão isenção no Imposto Predial e na taxa de limpeza urbana.

A segunda lei tem por finalidade fomentar o esporte amador, paraolímpico e a inclusão social. As empresas que comprovadamente investirem em esportes amadores e em programas sociais terão abatimento no valor do IPTU e na Taxa de Limpeza Urbana.

Esta atitude foi um grande passo rumo à evolução sustentável do esporte. Agora, além da ajuda significativa aos clubes de prática desportiva, há um bom incentivo para que empresas do Recife também invistam no esporte amador. Vale salientar que apenas o futebol de campo masculino é considerado profissional.

Depois desse incentivo da prefeitura cabe às federações organizarem melhor seus campeonatos para que tenham uma visibilidade interessante aos patrocinadores.

A Europa sul-americana.

Especial para o Blog do Torcedor.

Os clubes brasileiros vêm contratando, cada vez mais, atletas de outros países sul-americanos. E isso tem uma explicação simples e lógica. Dois são os fatores que vêm contribuindo para esse fenômeno: o crescimento economico do nosso país e o crescimento profissional do futebol nacional. Estes se confundem e se completam.

O primeiro fator diz respeito à valorização do Real, o que nos deixa em situação bem mais favorável frente aos outros sul-americanos. Os que acabam por vir jogar no Brasil recebem bem mais do que ganhavam em seu país. Este poder financeiro nos põe à frente dos demais.

O segundo motivo está relacionado com o crescimento das competições, da visibilidade e da qualidade dos nossos clubes de futebol. O Campeonato Brasileiro é a maior vitrine para os produtos futebolísticos, é um mostruário à disposição dos europeus, árabes e japoneses. É daqui que saem os craques, seja brasileiro ou não.

Será que poderíamos comparar Brasil e Europa? Talvez sim, na devida proporção. Assim, o Brasil estaria para a Europa como os sul-americanos para o Brasil, o Real para o Euro como as diversas moedas vizinhas estaria para o Real. Nessa linha, incluem-se nossos clubes, piores que os europeus, melhores que a maioria do nosso continente.

Um elemento pode corroborar esta teoria sobre o Campeonato Brasileiro como vitrine. É o fato de clubes sul-americanos emprestarem atletas para disputar o Brasileirão. Eles sabem que assim será mais fácil para vendê-los aos grandes centros. Um atleta que se destaca em um campeonato tão competitivo é mercadoria cara e uma venda certa.

Se este raciocínio for correto, estamos apenas no início da revolução. Assim como os clubes europeus compram nossos atletas, vamos comprar mais sul-americanos, e vendê-los para os europeus também. A invasão de estrangeiros pode se tornar um problema no futuro, o que nos forçará a adotar cláusulas de restrição. Mas, por enquanto, a melhor idéia é incentivar o intercâmbio de atletas e não proibir.

A presença desses "alienígenas" enriquece nosso campeonato. Afinal, só os melhores vêm jogar aqui. Vejam o exemplo dois últimos anos: Lugano, Tevez, Acosta e Valdívia. O mais incrível é que os estrangeiros têm se destacado mais que os brasileiros, parecem ser mesmo um ótimo investimento.