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quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Empréstimos

Os clubes podem ceder seus atletas a outros clubes, é o chamado empréstimo. Esta cessão é temporária e não pode durar além do contrato original. Quando acaba o prazo do empréstimo o atleta retorna ao clube original. Os direitos ferderativos e a multa rescisória são direitos do clube cedente, que tem contrato de trabalho com o atleta.

Este tipo de negócio tem se tornado cada vez mais frequente, enquanto os grandes clubes que investem na formação e fazem longos contratos de trabalho precisam pôr seus atletas para jogar, do outro lado estão os clubes que precisam destes atletas para compor seus elencos.

Parece vantajoso para ambas as partes. Mas, há diversas cláusulas que podem ser incluídas nestes contratos. Como, por exemplo, uma cláusula de ressarcimento ao Náutico em 20% sobre a venda de Wellington, ou uma que obriga o clube a liberar Radamés para o exterior de graça.

É preciso se proteger e buscar as melhores opções para os clubes, mas é difícil entrar em consenso quando todos querem ganhar um pouco mais. O Náutico, se aprendeu a lição, vai procurar contratos mais vantajosos para o clube no futuro, a parceria com o Inter pode ser a saída.

Mas, a solução para o problema está nas divisões de base. É preciso formar jogadores, é preciso investir nos centros de treinamento. Depois os clubes pernambucanos poderão se espelhar nos primos ricos e emprestar seus jovens a outros clubes do Norte-Nordeste.

O Sport comprou um CT, falta investir em estrutura. O Náutico já tem um CT, mas também precisa investir em estrutura. O Santa Cruz pode achar que tem outras preocupações, mas o investimento em divisão de base pode ser o segredo para sair da crise e ter um clube forte no futuro.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Longa Vida ao Santa Cruz

Com a atual crise do Santa Cruz, muitos comentaristas voltam com a idéia de que Recife não suporta três grandes clubes. Alguns torcedores de Náutico e Sport até comemoram. Mas, será que no mercado do futebol em Pernambuco não há espaço para as três forças, será que sem o Santa Cruz será melhor para Sport e Náutico? Eu discordo.

Sinceramente, nunca comprei essa estória de que em Recife não pode haver três grandes clubes. Ora, os três estão juntos na disputa há mais de noventa anos, e agora que a população cresceu que o futebol se desenvolveu e se profissionalizou, agora não tem mais espaço? Não acredito nisso.

O grande problema é que o Santa Cruz andou de marcha ré nos últimos anos. Os rebaixamentos foram apenas um reflexo da administração desastrosa do clube coral. O grande problema é que, no momento em que o futebol pedia mais profissionalismo, mais planejamento e mais responsabilidade, os dirigentes fizeram exatamente o inverso, e não foi só no Santa Cruz.

Hoje o futebol é negócio, e os clubes devem ser administrados como grandes empresas. O importante é saber que o mercado está em crescimento, o valor dos patrocínios tem aumentado, assim como o valor pago pela TV. Os torcedores são cada vez mais consumidores, e as lojas do Sport e do Náutico provam a força e a lucratividade que tem uma marca de futebol.

Por que não há lugar para três clubes? Falta torcedor? Não parece, Recife tem uma das melhores médias de público do país, e mesmo o Santa Cruz na terceira divisão teve média de quase vinte mil pessoas por jogo no Arruda. Alguns podem dizer que falta dinheiro, mas eu respondo, falta é uma boa administração para explorar o potencial tricolor que, assim como a maioria dos clubes brasileiros, poderia ganhar muito mais.

Na peculiar lógica empresarial do futebol os adversários dentro de campo são aliados fora dele. O que seria do Sport sem o Náutico, e o que seria deles sem o Santa Cruz? O futebol pernambucano precisa dos três, e até mais clubes fortes se quiserem aparecer, pois quanto melhor for o nível do futebol pernambucano, melhor será para cada um dos clubes, independente do campeão.

Não se preocupem tricolores, o Santa vive, e viverá para sempre.

sábado, 23 de agosto de 2008

Futebol e Internet

A internet já se popularizou, há tempos ela deixou de ser uma ferramenta dos ricos e expandiu-se a todos, seja através das escolas, lan-house, de casa ou do trabalho. E podem ter certeza, com um pouco mais de tempo ela estará em todos os lares e em todos os lugares. Mas, ainda não é bem aproveitada pelos clubes de futebol.

Todos os clubes já têm seu site oficial, mas oferecer notícias aos internautas é muito pouco, afinal, para isso existem inúmeros outros sítios. O importante é aproveitar a internet para se desenvolver, para crescer. E é bom começar logo.

A TV e o rádio via internet já são ferramentas utilizadas por vários clubes. No Brasil, o Flamengo e o Corinthians já lançaram seus canais e estão colhendo os frutos. O Náutico já anunciou sua implementação, mas não parece que acontecerá assim tão cedo.

Associar-se pela internet já é uma realidade para muitos clubes. Com isso é possível atrair novos sócios devido à facilidade que se oferece. Mas, além de associar-se, é importante que o sócio possa pagar sua mensalidade pela internet, essa é a melhor forma de manter seus sócios em dia, tão importante quanto conquistar novos associados.

Comprar ingressos. Infelizmente, pouquíssimos clubes oferecem ao torcedor a possibilidade de adquirir ingressos on-line. Seria uma excelente iniciativa, capaz de aumentar o número de torcedores nos estádios, diminuir as filas e melhorar o atendimento. Assim como acontece em alguns shows e eventos, o torcedor compraria seu ingresso no site, imprimiria o comprovante e retiraria seu bilhete no estádio no dia do jogo.

Marketing na internet já não é novidade. Mas, não estou falando de emails “spam” ou panfletagem on-line. A internet oferece canais interessantíssimos para que o clube possa divulgar ações e fortalecer a marca. O youtube, por exemplo, já está sendo invadido por marcas esportivas e clubes de futebol que usam esta “TV” para divulgar seus produtos.

Há tempos que as empresas investem em ações na rede. Quem tem um mínimo de visão já percebeu há muito tempo a importância da internet. Mas, no futebol brasileiro ainda falta muita visão, ainda falta profissionalismo, ainda falta muita competência. A hora de abrir os olhos para a modernidade, a tecnologia e a nova realidade (a virtual) já chegou, é bom correr para não ser o último a cruzar a linha que divide o passado e o futuro.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Futebol olímpico.

Você deve estar se perguntando: por que tanta polêmica em relação a estes jogadores que representam a seleção nas Olimpíadas? Por que uma competição tão importante para o mundo esportivo é tão discriminada pelo futebol? Por que os clubes europeus implicam tanto com os Jogos Olímpicos?

Pois é, primeiro, temos que ressaltar isso: se para os outros esportes as Olimpíadas representam o auge, a competição mais importante do mundo, a mais aguardada, a mais disputada, a mais simbólica e a mais sagrada, assim não é para o futebol.

O futebol está acostumado a ser o centro das atenções. Para os brasileiros, por exemplo, a Copa do Mundo é mais importante que as Olimpíadas. E lá em Pequim o futebol é apenas mais uma modalidade. Pior, ainda é uma modalidade discriminada, pois começa antes da abertura e é disputada em outra cidade.

Mas, por que proibir os jogadores de futebol de representarem suas seleções? Ora, na Europa é começo de temporada, alguns clubes já disputam até mesmo as primeiras fases da Liga dos Campeões. Então, para um clube, empregador, que paga os salários deste atleta (e não são baixos), que investe na contratação de reforços (e não é pouco), liberá-los é um prejuízo incalculável.

O grande problema é que as Olimpíadas não batem com o calendário do futebol mundial. Enquanto isso, as competições organizadas pela FIFA são bem pensadas a fim de não prejudicar os clubes (que mesmo assim reclamam). Até os amistosos têm datas pré-estabelecidas. A maioria dos clubes europeus até já cedeu seus atletas este ano para a disputa da Eurocopa.

E no Brasil, nós estamos no meio do Campeonato Brasileiro, por que os clubes liberam tão facilmente? Primeiro porque há pressão da CBF. Segundo, e mais importante, porque os clubes brasileiros reconhecem seu papel no mercado da bola, o de formadores e exportadores de craques. Estes jovens que hoje representam o Brasil em Pequim serão os produtos mais valorizados do mercado, dificilmente retornarão a seus clubes e serão vendidos por uma fortuna.

Parece que o que falta mesmo é espírito olímpico aos futebolistas, mais especificamente aos clubes. Falta inspirar-se naqueles que lutam sem dinheiro, que dão seu sangue e seu suor só para estarem presentes nesta festa. É por isso que os jogadores de futebol se confundem cada vez mais com artistas e menos com atletas.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Quem lucra?

Os torcedores já devem ter percebido, a maioria dos atletas vendidos nos últimos dias do Brasil para o exterior não rendeu muito aos clubes. Pois é, na maioria dos casos o clube fica com apenas 20%, 50% do valor das transferências. Enquanto isso, de alguma forma, os empresários ficam com uma boa parte desses valores.

Por que isso acontece? Duas formas: na primeira, o clube, quem deveria receber o valor total da multa (transferência), cede uma parte a outro em troca de uma compensação financeira imediata. É o que chamamos de cessão dos direitos econômicos. Assim, quando o clube vender o atleta, esse investidor terá direito a uma percentagem.

A outra forma, bem comum hoje, é quando um jogador, ao assinar contrato, acorda com o clube uma percentagem para si, ou para seu empresário (isto se confunde). O clube aceita ou não, mas aí é a autonomia da vontade, as partes acordam como melhor entenderem.

Então, no primeiro caso o clube, em troca de dinheiro, cede uma parte do “passe” do atleta a um investidor, foi o que aconteceu com Breno do São Paulo. No outro caso, é o próprio atleta, que ao assinar o contrato só cede, por exemplo, 50% ao clube, ficando para si o direito de receber os outros 50% no momento da transferência.

Solução. A mesma de sempre, formar seus próprios jogadores. Quando ele assina o primeiro contrato profissional com o clube formador, não existe essa de percentagem para ele ou para um empresário, a multa é 100% do clube, e este só cede se quiser. Claro, os empresários fazem de tudo para ficar com uma parte, por isso é bom se proteger. A diferença de um jogador formado no clube para um contratado é que este já vem “viciado”, devendo percentagens a vários empresários.

A outra vantagem de formar um atleta é o mecanismo de solidariedade da FIFA. Assim, toda vez que um jogador formado no clube se transferir, o formador terá direito a 5%. Foi o que aconteceu com Ronaldinho Gaúcho, que na transferência do Barcelona para o Milan, rendeu cerca de R$ 2,2 milhões ao Grêmio.

Será que não vale à pena investir em um centro de treinamento? Será que não vale a pena dar chance aos jovens atletas? Acredito que sim. Vejam os bons exemplos (São Paulo, Inter, Grêmio, Santos, Fluminense, Atlético/PR). Os estrangeiros querem comprar, cabe a nós oferecer o melhor produto, e o que nos renderá mais frutos.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Contratar é difícil.

A grande barreira para a contratação de atletas se chama “cláusula penal”. Quem gosta de futebol e acompanha o drama dos clubes brasileiros, especialmente os pernambucanos, na contratação de atletas já deve saber, mais ou menos, do que se trata.

É o seguinte: enquanto um jogador está sob contrato com algum clube, ele só pode se transferir se for paga uma multa: a cláusula penal. Mas, depois que o contrato se encerra, o atleta fica livre para negociar e ir para qualquer clube.

Pois é, esta cláusula é o grande fator que dificulta a contratação de novos jogadores. Para os clubes pernambucanos, que não têm muito dinheiro em caixa, pagar esta multa para contratar atletas é praticamente impossível. Então, como funciona? Ora, na maioria dos casos, os clubes contratam jogadores que já haviam encerrado o contrato, ou então tomam emprestados dos grandes clubes do sul.

Exemplos: Roger do Sport e Wellington do Náutico vieram emprestados, assim, não foi preciso pagar nenhuma multa. Fumagalli já havia encerrado contrato com o clube do Catar, por isso não foi preciso pagar multa. Esta é a situação da maioria dos atletas que estão atuando nos clubes pernambucanos.

Enquanto isso, os bons jogadores, que, normalmente, têm contrato com algum clube, só são liberados com o pagamento desta multa, ou seja, o clube interessado tem que “comprar” o jogador. E, convenhamos, quem tem um bom atleta, especialmente um atacante matador, não vende barato.

Por isso é tão difícil contratar, principalmente no meio da temporada. Não há atletas disponíveis sem contrato, nem clubes dispostos a emprestar de graça um bom jogador. No começo da temporada é mais fácil, porque é quando vencem os contratos e é quando os grandes clubes disponibilizam atletas para empréstimos.

Então, sem dinheiro para pagar a multa, dificilmente os clubes conseguirão contratar bons jogadores. Enquanto isso, lá no sul-maravilha, as condições financeiras são bem diferentes. O Internacional, por exemplo, pagou cerca de U$ 7 milhões por D’Alessandro. Aqui em Pernambuco, pagar milhões por um atleta é, simplesmente, impossível, inviável e irreal.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

O imediatismo do futebol.

A palavra estabilidade não existe no vocabulário do futebol brasileiro. Para os dirigentes, e para os torcedores também, o que importa é a próxima vitória, é o campeonato em disputa, são os resultados imediatos. Não há, no futebol brasileiro, principalmente no pernambucano, planejamento a longo prazo.

Mas, o que seria um planejamento a longo prazo? É investir em estrutura, categoria de base, marketing, profissionais qualificados. E não investir toda a verba no time de futebol. Esses atletas que defendem as cores de nossos amados clubes estão só de passagem, a maioria nem tem contrato por mais de dois anos.

Os clubes, em busca do resultado positivo, acabam investindo mais do que podem e criam equipes inviáveis financeiramente. Um clube que mantém a contabilidade sob controle, mas não vence o campeonato, tem possibilidade de evoluir, fortalecer-se e, no futuro, montar equipes mais fortes.

O grande problema é a pressão da torcida. Em clubes de massa é muito mais difícil ter uma gestão controlada, porque o imediatismo impera. As exigências da torcida fazem com que os clubes gastem mais do que podem e deixem de investir em áreas essenciais para o crescimento.

A venda de atletas, por exemplo, é um recurso dos clubes para ganhar dinheiro imediatamente. Mas, um clube forte, bem administrado, pode segurar seus melhores atletas e fortalecer sua equipe. A boa administração busca receitas alternativas e investe no crescimento da instituição.Infelizmente, essa cultura imediatista só atrasa o crescimento econômico dos clubes.

Mas, para o torcedor, enquanto as vitórias estiverem vindo, pouco importa se as dívidas estejam se acumulando.

terça-feira, 8 de julho de 2008

O início do fim da cartolagem.

A saída de Eurico Miranda do Vasco e do Clube dos 13 pode ser considerada a anunciação de que o fim está próximo. O fim da cartolagem, do amadorismo, da corrupção. Talvez demore mais do que se espera, mas é algo que está fadado a acontecer.

A evolução do futebol brasileiro é visível, embora seja lenta. O Campeonato Brasileiro já não muda mais suas regras a cada ano, as viradas-de-mesa parecem ter acabado, investidores internacionais voltam anos olhar com bons olhos, clubes investem em marketing e dirigentes cada vez mais profissionais os assumem.

Ainda falta muito para atingirmos o objetivo. Mas, esta evolução recente é prova de que estamos no caminho certo. Porém, muita coisa ainda precisa mudar, como a divisão das verbas de transmissão dos jogos, o monopólio do Clube dos 13, o bairrismo dos poderosos e a postura amadora dos dirigentes, que não administram os clubes como grandes empresas que são, mas como padarias de subúrbio.

Ainda falta valorizar o torcedor, ainda falta enxergar o clube como uma empresa, ainda falta visão de que o futebol pode ser o produto mais importante deste país. Falta acabar com a violência, falta acabar com asdívidas trabalhistas, falta respeitar os contratos firmados, falta bastante profissionalismo e vergonha na cara.

O esporte, que um dia foi jogado descalço em campos de terra, hoje recebe patrocínios milionários, é transmitido ao vivo para todo o país e vê seus estádios crescerem e se modernizarem à espera de uma Copa do Mundo iminente. E os cartolas que antes desviavam o dinheiro do clube, hoje são fiscalizados pela própria torcida (nem tanto assim).

Ainda nos resta um longo caminho a percorrer, mas os novos cartolas que virão acrescentarão cada vez mais a visão profissional ao esporte. Muitos hoje já estudam o direito desportivo, o marketing desportivo, a gestão desportiva, e um dia estes serão os líderes do movimento pró-evolução.

É o começo, ainda é o começo, mas o futuro é dos bons.

sábado, 21 de junho de 2008

Caso Fumagalli.

O ídolo da torcida rubro-negra está esperando a “condição de jogo” para voltar a atuar pelo Sport. Mas, existe uma grande polêmica sobre a possibilidade de vê-lo jogar antes de agosto, quando abrem as inscrições para atletas vindos do exterior. Segundo o atleta e o clube, o caso é uma exceção, já que ele tinha encerrado seu contrato com o clube do Catar antes de assinar com o Leão da Ilha.

Para garantir, o atleta decidiu entrar com um pedido liminar na justiça do trabalho, alegando uma restrição na liberdade de trabalho. Mas, trabalhar não é apenas disputar partidas, inclui treinos, concentração, partidas amistosas, etc. O simples fato de o atleta estar treinando no clube e recebendo seus salários já é prova de que a sua liberdade não está sendo restringida, pois ele está trabalhando de fato.

A inscrição de Fumagalli no Campeonato Brasileiro não é uma questão trabalhista, é uma questão técnica do regulamento da CBF. A justiça do trabalho não tem competência para julgar o caso, uma vez que a Constituição determina que só serão admitidas ações referentes às competições quando esgotadas todas as instâncias da justiça desportiva. Assim, o caso de Fumagalli deveria ser resolvido pelo STJD.

Porém, o pedido é totalmente possível, uma vez que já existem precedentes, como Kléber Pereira, do Santos, que conseguiu liminar na justiça do trabalho e pôde estrear antes do período estipulado pela CBF. Foi esta a argumentação dos advogados na época, e foi aceita pela justiça trabalhista. E é nisso que se apóiam os advogados do Sport.

O período de inscrição de atletas vindos do exterior é uma determinação da FIFA, a CBF apenas estipulou as datas, 2 de janeiro a 25 de março e 3 a 31 de agosto. Segundo a determinação da CBF, os jogadores profissionais oriundos do exterior só poderão inscrever-se se o clube apresentar a respectiva solicitação à CBF durante um dos períodos de inscrição.

Quanto ao fato do contrato de Fumagalli ter se encerrado antes de assinar com o Sport, isso não muda a situação do atleta. Caso o contrato dele houvesse se encerrado antes de 25 de março, então seria possível a sua inscrição fora do prazo determinado pela CBF.

Caso haja decisão favorável da justiça do trabalho, a CBF será obrigada a aceitar a inscrição do atleta. Sendo assim, existe a possibilidade do meia estrear pelo Sport já na partida contra o Flamengo, semana que vem.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

A bola de neve.

O futebol brasileiro vive um momento delicado. O crescimento econômico do país e, conseqüentemente, do futebol tenta levar o Brasil de volta ao status de potência. Não dentro de campo, já que sobra qualidade, mas fora dele, onde sobra incompetência. E nem os patrocínios milionários mudam mentalidades retrógradas.

O tratamento que os clubes vêm dando uns aos outros é digno de uma sociedade arcaica, do tempo em que o futebol era só um esporte e pensava-se que o cheiro de tinta no vestiário poderia gerar uma vitória. Mas, hoje futebol não é só um jogo, nem só um espetáculo, mais do que uma metáfora da vida, o futebol é uma indústria.

Quando o campeonato brasileiro passou a ser disputado no formato de pontos corridos, a intenção era criar uma estabilidade capaz de fazer o futebol nacional evoluir. Os modelos europeus são copiados por serem uma fórmula de sucesso. Mas, infelizmente não basta um campeonato bem organizado, já que as partes mais interessadas insistem em mostrar seu lado amador.

Ser profissional é mais do que enxergar o futebol como um negócio, é ver seus inimigos muitas vezes como aliados, e perceber que estão todos no mesmo barco. Tratar mal seu adversário e os torcedores rivais é apenas mais um sinal de que o maior problema do nosso futebol não é financeiro, é cultural.

Será que é tão dificil perceber que o mundo da bola dá mais voltas que a própria Terra? Afinal, o visitante desta quarta-feira é o mandante da semana que vem. Assim, maltratar seu adversário é como pedir para ser maltratado, é uma simples questão de reciprocidade. Dificultar a vida dos torcedores adversários é condenar sua torcida ao mesmo tratamento. E quem mais perde com isso é o próprio futebol brasileiro, tachado de provinciano.

Está na hora dos clubes se unirem para determinar regras a serem aplicadas entre eles mesmos. É uma questão de cortesia, tratar bem para ser bem tratado. Cabe aos presidentes dos clubes que compõem o campeonato decidirem se vão levar o esporte a um patamar de qualidade superior ou vão insistir em manter o Brasil na era jurássica.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

O "profissionalismo" vascaíno.

Primeiro, note as aspas no nome “profissionalismo” para que a ironia não escape. Quem assistiu às reportagens sobre a semi-final da Copa do Brasil pôde ver como os vascaínos recebem seus visitantes.

Os rojões na madrugada são de responsabilidade exclusiva dos torcedores. E isso já era de se esperar, uma vez que no Recife também houve foguetório (coisa que está virando moda, mas não deveria). Por isso, não podemos culpar a diretoria do Vasco da Gama.

Mas, os cruzmaltinos, liderados pelo “ilustre” Eurico Miranda, deram mostras de como ser “proifissional” no Brasil. A diretoria do clube carioca fez de tudo para dificultar a vida dos torcedores e jogadores do Leão, mas nada deu certo, e quem vai para a final é mesmo o Sport.

Na chegada os atletas já foram recebidos com pedrada (culpa do clima de guerra gerado pelos dirigentes e jogadores do Vasco). Depois, o time do Sport ficou trancado no vestiário, proibido de aquecer no gramado. Aquelas coisas que costumavam acontecer na era das viradas-de-mesa, coisas que pensei que não voltaria a ver.

A torcida do Sport foi ainda mais maltratada. Os ingressos da torcida adversária só foram colocados à venda no próprio estádio, e apenas no dia do jogo. Mesmo assim, muitos nem viram a cor desses ingressos. Poucos conseguiram acompanhar o time ao vivo em São Januário.

Enquanto vejo clubes punidos por atraso e jogadores suspensos por faltas normais, espero uma denúncia da procuradoria do STJD sobre esses incidentes. Este tipo de atitude não pode mais ter lugar no futebol brasileiro. A mostra do “profissionalismo” de Eurico Miranda agora deve servir como exemplo do que não fazer.

Mas, o rubro-negro também não pode encher a boca para falar dos outros. Afinal, fizeram foguetório contra Internacional e Vasco, atiraram pedra no ônibus do Palmeiras. E podem perguntar a qualquer alvi-rubro ou tricolor como é ser um visitante na Ilha do Retiro, tenho certeza que não vão gostar da resposta. Antes de reclamar dos outros é preciso analisar as próprias atitudes.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Onde fica o planejamento na dança dos técnicos?

O Campeonato Brasileiro mal começou e a dança das cadeiras já está bem adiantada. Agora, a pergunta que fica é esta do título. Afinal, a troca de técnicos prejudica o planejamento ou ainda é cedo?

De fato, se era preciso trocar mesmo o comandante, então esta era a hora. Com apenas duas rodadas disputadas, o campeonato ainda oferece uma grande oportunidade de recuperação.
E os técnicos que caíram não podem culpar o Brasileirão, mas as competições anteriores que os derrubaram.

Alexandre Gallo já está acostumado a trocar de time no início do planejamento, foi assim quando deixou o Sport para treinar o Internacional, e agora sai do Figueirense para assumir o Atlético-MG. E ele terá bastante trabalho para agradar uma torcida em ano de centenário.

Roberto Fernandes resolveu aproveitar uma oportunidade. Ao assumir o Atlético-PR ele viu uma chance de alcançar objetivos mais significativos. Com isso, ele abandona o planejamento que tinha no Náutico para tentar crescer na profissão.

Quem mais sofre com este troca-troca são os clubes, tanto os que vêem o comandante abandonar o barco quanto os que contratam novos treinadores. Assim, o planejamento tão falado acaba ficando em segundo plano, perdendo para a simples vontade de mudar, e assim conseguir vencer.

Tudo bem, eu não espero que no Brasil surja um técnico como Alex Fergusson, treinando o mesmo time há mais de vinte anos. Mas, ouvir críticas a Muricy Ramalho após a derrota para o Fluminense e com alguns pedindo a saída do treinador, sinceramente, foi o fim da picada. Enquanto isso, ninguém desbanca nem demite aqueles cartolas incompetentes que insistem em comandar nosso futebol.

Resposta para a pergunta do título: O planejamento fica mesmo prejudicado com a troca de técnicos, mas se tinha que acontecer a hora era agora. Ainda há tempo para contratar, treinar, entrosar, adaptar e recuperar. Resta-nos esperar para ver quem acertou em manter ou trocar seus comandantes.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

A importância dos sócios.

Por que tentar aumentar o número de sócios? Para aumentar a receita (resposta óbvia). Mas por que os clubes pernambucanos não têm uma campanha sólida para atrair sócios, e mais, por que será que muitos desprezam seus sócios e dificultam ao máximo as suas vidas? (pergunta retórica).

O Internacional de Porto Alegre é um exemplo de administração, estrutura e principalmente na forma como trata seus sócios. Para o Inter seus sócios são mais do que torcedores, são parceiros, e por isso são tão bem tratados. Depois de conquistar o título gaúcho o clube teve uma média de um associado a cada dois minutos.

O colorado chegou à marca de 75.650 sócios, que lhes rende aproximadamente R$ 2,6 milhões por mês. A meta é chegar aos 100 mil sócios até o fim do ano, já que em 2009 o clube festeja o seu centenário. Com isso, o clube brasileiro se tornará um dos maiores do mundo nesse aspecto (os maiores são: Benfica, 170.645, o Barcelona, 157.122, e o Manchester United, 151.079).

Enquanto isso, o Sport, campeão pernambucano, que derrotou o clube gaúcho na Copa do Brasil, não está aproveitando as vitórias para traduzi-las em crescimento. O clube deveria ter aproveitado a boa fase para aumentar seu número de sócios, e com isso aumentar também sua receita.

Infelizmente o futebol pernambucano ainda está bastante atrasado em termos de organização e profissionalismo. Afinal, como conseguir novos sócios se não há campanha? Como manter os sócios em dia se não enviam boletos bancários, se forçam o sócio a ir ao clube pagar sua mensalidade? Com poucas vantagens, regalias ou privilégios fica difícil convencer alguém a se associar. A única razão para isso ainda é a paixão pelo clube.

Entrada gratuita no estádio, pagar com cartão de crédito, acesso fácil a ingressos, descontos nas lojas do clube e de outros parceiros, sorteio de prêmios, brindes, revista mensal, camisas comemorativas, associar-se pela internet, além de outras facilidades poderiam ajudar a angariar mais sócios para os clubes. Mas, para mudar é preciso mais do que simples vontade, depende de visão.

domingo, 11 de maio de 2008

É proibido beber nos estádios.

Esse tema divide opiniões. Confesso que já mudei a minha algumas vezes, e diante de tantos argumentos contra ou a favor, está cada vez mais dificil descer do muro. Portanto, não vou fazer nenhuma conclusão neste artigo, vou apenas apresentar argumentos dos dois lados, cada um que forme sua própria opinião.

Proibir é um absurdo, é uma violação aos direitos individuais e à liberdade pessoal. E ainda é uma punição a pessoas honestas, que nunca deram razão a estas medidas. No fim, a gente sabe que os maiores causadores da violência não são os torcedores comuns, são as torcidas organizadas. E o que move essas torcidas a cometer atos de vandalismo não é o álcool, mas o sentimento de poder ao estar em bando.

Mas, a gente também sabe do que um ser humano comum é capaz após beber alguns copos. E os estádios, por vezes chamados de caldeirão, juntam ingredientes perigosos, como a paixão, a emoção, a euforia e a rivalidade, misturado com um pouco de álcool cria-se uma bomba de ódio e violência. Quem já viu sabe como é.

E os clubes, como ficam nisso? Imaginem o prejuízo que terão. Na realidade atual do nosso futebol, sofrendo para competir contra os milionários do sul do país, tirar uma fonte de renda como esta é algo criminoso. Estão punindo a pessoa errada. Enquanto isso, os arruaceiros que quebram ônibus e promovem o terror andam livres e uniformizados.

Segundo a polícia, 80% dos registros são confusões por uso de álcool e outras drogas. Além do mais, esta proibição já existe na Europa e em outros estados brasileiros, sem citar que na Copa do Mundo é terminantemente proibida a venda de bebidas alcoólicas. Se esta ação ajudar a acabar com a violência então os clubes terão mais ainda a ganhar, já que sabemos ser este o principal fator que afasta os torcedores dos estádios.

E você, diante destes e tantos outros argumentos, já formou sua opinião?

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Prisão ou suspensão?

A condenação de Rachid Bouaouzan a seis meses de prisão na Holanda reacendeu uma discussão antiga. Qual a punição adequada aos jogadores violentos? Prisão, como um criminoso comum, ou suspensão, pela justiça desportiva? A única certeza é que jogadores violentos como este não podem ficar impunes.

O Código Penal prevê como exclusão da ilicitude o “exercício regular do direito”. Normalmente as lesões ocorridas em uma partida de futebol se enquadram nesta categoria, afinal, as lesões também fazem parte do esporte. Assim, entende-se que, quando respeitadas as regras, se o agente provoca uma lesão, não pode ser punido. Mas, ressalte-se que este exercício do direito deve ser regular. Ou seja, todo o excesso, bem como atos estranhos ao esporte, pode e deve ser punido pela justiça criminal.

Enquanto isso, a justiça desportiva pune o atleta com suspensão de 120 a 540 dias por agressão e 2 a 6 partidas por jogada violenta. E o art. 253, que trata a agressão, prevê no §2º uma suspensão pelo mesmo prazo em que o agredido permanecer fora dos gramados. Mas, isto é no caso de agressão, não aplicável à jogada violenta, que muitas vezes machuca ainda mais que uma agressão.

Então, a pergunta continua: Prender ou suspender? Sou contra a pena de prisão em muitos dos casos, mas com certeza há atletas que merecem mais que uma suspensão. Porém, a pena de prisão, se não for acompanhada de uma suspensão, pode não ser suficiente, já que o atleta retornaria a campo após o cumprimento da pena. E a pena de prisão pode ser até menor que uma suspensão, principalmente se levar em conta as penas alternativas e a liberdade condicional.

Na minha humilde opinião os agressores merecem penas mais severas. Sou a favor das penas proporcionais às lesões, assim, no caso em que o atleta encerra sua carreira por uma lesão, o agressor deve mesmo ser banido do esporte.

O futebol é lugar para gênios, artistas, atletas e nunca para criminosos.

Veja o vídeo da jogada que condenou Bouaouzan:

quinta-feira, 17 de abril de 2008

O Campeonato Pernambucano de 2008.

Ainda falta uma rodada para o campeonato terminar, ao menos oficialmente. Mas, com o título nas mãos do Sport, já podemos fazer um balanço do que foi o campeonato estadual deste ano. Assunto é o que não falta, desde o regulamento esdrúxulo até o título incontestável do Sport, passando, claro, pela crise coral.

O regulamento deste campeonato foi a grande estrela, mais comentado que o título rubro-negro e mais criticado que o presidente Edinho. No começo era apenas confuso, depois foi-se percebendo que era também injusto, ao fim podemos dizer que era simplesmente patético. A maior crítica, claro, é a falta de clássicos, mas isso já se falou demais.

Sinceramente, o pior é o que está por vir. Quem ficará com as vagas à série "C"? Central, Ypiranga e Serrano, que disputaram o segundo turno, brigam contra Petrolina e Porto, que estão no hexagonal do rebaixamento. Aí eu pergunto: faz algum sentido?

Os clubes foram divididos entre piores e melhores, mas no fim, os piores acabam levando vantagem. Pior para os clubes que montaram equipes mais fortes, que investiram mais e se planejaram melhor.

Depois do regulamento o assunto mais discutido este campeonato foi a crise do Santa Cruz e um possível impeachment do presidente. Mas, aí eu pergunto: a culpa é só de Edinho? Será que esta crise não era anunciada? E pior, será que um novo presidente pode mudar o clube da água para o vinho? O problemado Santa Cruz é o mesmo de muitos outros clubes, a má administração, não só de Edinho.

O futebol está evoluindo, está ficando cada vez mais profissional, e se continuarmos pensando com a mesma cabeça de vinte anos atrás o bonde da evolução vai passar e o Santinha vai perdê-lo. Profissionalismo não é pedir esmola a ex-presidentes ou empresários apaixonados, é administrar o clube como uma empresa, que pode sim gerar muito lucro e não só dívidas.

Por fim, parabenizo o Sport Club do Recife, campeão pernambucano de 2008. Mas, os meus parabéns não são para os jogadores e sim aos dirigentes. O Sport tem acompanhado a evolução do futebol e investido nos lugares certos.

O Centro de Treinamento, a nova loja, novos patrocinadores e um bom trabalho de marketing marcaram o começo do ano rubro-negro. Mas, nem se empolguem, ainda há muito a melhorar. Os dirigentes ainda pensam muito em formas de gastar dinheiro e pouco em investimentos que tragam retorno financeiro.

Agora, com o título na mão, é hora de lançar uma forte campanha de sócios para aumentar o patrimônio do clube. De nada adianta ter uma grande torcida se não souber explorá-la. Bom, mas agora o campeonato já era. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos. E que venha o Campeonato Brasileiro, seja a série que for.

Ano que vem tem mais campeonato pernambucano, e com o mesmo regulamento, afinal, élei. Fazer o quê?

sábado, 15 de março de 2008

As medidas da FIFA.

A organização máxima do futebol divulgou um pacote de medidas para moralizar o esporte. A FIFA mostrou quais são as suas preocupações e até citou o caso Corinthians/MSI, numa estorinha clássica de lavagem de dinheiro. São nove medidas a serem aplicadas, mas não vou comentar todas, escolhi apenas as que acredito serem mais significativas para o futebol brasileiro.

1. Interferência de terceiros.
Essa medida já foi adotada pela FIFA ao criar o art. 18A no Regulamento de Transferência de Jogadores. O artigo proibe que terceiros interfiram na transferência de atletas, como aconteceu no caso Corinthians/MSI, onde ninguém sabia quem era o verdadeiro “dono” dos atletas. Isso se aplica também aos casos de cessão de direitos econômicos, muito comuns hoje, onde um investidor compra uma percentagem do atleta para ter um retorno maior na hora da transferência. Mas, a regra já existia e ainda não era aplicada no Brasil, nem houve qualquer manifestação da CBF a respeito.

2. Novas regras para agentes de jogadores.
Agora os agentes credenciados deverão renovar sua licensa regularmente, para que eles comprovem estar atualizados sobre as novas regras da FIFA. Além disso, as penalidades foram reforçadas. Mas, no Brasil, a maioria dos “empresários” de futebol não são agentes credenciados, apesar da CBF e FIFA proibirem esta atuação clandestina.

3. Código eleitoral.
A FIFA quer evitar interferências nas eleições das federações nacionais, protegendo a imparcialidade e a democracia. Mas, bem que esse código podia prever uma proibição aos “mandatos vitalícios”. Quem sabe um dia a CBF sairá das mãos de Ricardo Teixeira. E a FPF, será que vai ter que cumprir esse código também?

4. Criação de tribunais.
Após a bem-sucedida instalação da Câmara de Resolução de Litígios, a FIFA resolveu levar este “tribunal” para as federações nacionais. Estas câmaras serão responsáveis por julgar as disputas entre atletas e clubes. Com isso os casos não serão mais submetidos à justiça do trabalho, e poderão, finalmente, serem julgados com a celeridade e competência necessária ao esporte.

Além dessas medidas há: a implementação de um sistema eletrônico para registro das transferências, o que deve dar mais segurança, transparência e agilidade às transações; um sistema de alerta preventivo contra as apostas ilegais; concessão de licença mundial de clubes, para saber quem são os acionistas das entidades; acordo de colaboração entre associações e governos.

Agora, é sentar e esperar o resultado.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Má distribuição de renda no futebol.

A má distribuição de renda é um dos principais problemas do país, e responsável por gerar outros tantos problemas à sociedade. Pois bem, no futebol isso também ocorre, e não é pouco. Desde as receitas dos clubes até o salário de atletas e treinadores. E esta diferença parece bem acentuada quando comparamos as regiões do país. Na verdade, é melhor nem comparar, só para não revoltar.

O Náutico está atrás de um aumento na cota de televisionamento do Campeonato Brasileiro. Afinal, convenhamos, R$ 3 milhões para disputar uma competição como esta não é cota, é esmola. Enquanto isso, o Sport ganha R$ 12 milhões, só porque faz parte do Clube dos 13. Já o Flamengo, time de maior torcida no Brasil, recebe R$ 28 milhões. Quer uma distribuição de renda pior do que essa?

A atual distribuição das cotas é prejudicial ao futebol brasileiro. Até aceito que clubes de maior torcida recebam mais, mas sou contra, acredito que a verba deveria ser distribuida igualmente entre os participantes. Afinal, a TV compra o campeonato inteiro e não os jogos dos times A ou B. Também vejo a presença do C13 nessas negociações como prejudicial. Fazer parte desse "clube" não deveria ser um critério para aumentar ou diminuir as cotas dos clubes.

A disparidade econômica entre os clubes do Nordeste e do Sudeste são perceptíveis também nos salários. Enquanto Carlinhos Paraíba ganha R$ 10 mil no Santa Cruz, Rodrigo Tabata, reserva do Santos, cotado para vir para o Náutico, recebe R$ 100 mil por mês, motivo que deve inviabilizar a vinda do meia. Nem me atrevo a falar de salário dos técnicos, já que em São Paulo há treinadores que ganham 400 ou 500 mil reais.

A cada ano fica mais dificil para os pernambucanos competirem no mercado contra os clubes do sul, agora contra os clubes do interior paulista também. Mas, com esse baixo custo, o futebol pernambucano pode ser um terreno mais fértil para patrocinadores, principalmente em competição nacional. Há uma grande exposição da marca por um valor menor às empresas. Quem sabe um dia o mundo vai descobrir as vantagens de se investir no futebol do Nordeste.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Estaduais ou Regionais?

Sem clássicos no primeiro turno, e ainda correndo o risco de ver o Santa Cruz fora do hexagonal do título, o que levaria a um ano inteiro sem os clássicos das multidões e das emoções, além da fórmula do campeonato (já exaustivamente criticada), já podemos analisar a própria existência do estadual.

Calma torcedor, não quero acabar com o campeonato pernambucano, até porque a rivalidade que movimenta esta competição é também um incentivo à torcida e aos clubes, sempre buscando ficar na frente do rival. Mas, a qualidade e a rentabilidade dos campeonatos estaduais, especialmente no Nordeste, deve ser discutida, principalmente em relação aos grandes clubes que disputam a série A do Brasileirão.

Não podemos comparar os campeonatos paulista e carioca com o pernambucano ou o baiano. Não falo da qualidade técnica dos clubes, isso também, mas principalmente da visibilidade e, consequentemente, da rentabilidade destas competições, desde as verbas pagas pela TV até os patrocínios.

Antes de começar o campeonato eu escrevi aqui no Blog do Torcedor: “formar um time caro já em janeiro não é boa idéia. As receitas do campeonato estadual não se comparam as do Brasileirão, assim, o time também deve ser proporcional”.

Daí porque o campeonato do Nordeste poderia ser uma boa opção. Com mais visibilidade e rentabilidade, disputando contra os grandes clubes do NE, os pernambucanos terão mais condições de armar um grupo forte desde o começo do ano. Assim, poderíamos chegar com uma melhor condição para disputar o Brasileirão. Enquanto os cariocas e paulistas lucram bastante desde o início do ano, no Nordeste as receitas nesse mesmo período são muito inferiores.

Minha solução: um estadual mais curto (12 times, jogos só de ida, os 4 primeiros fazem semi-final e final), assim sobrariam datas para organizar um Campeonato do Nordeste, com os campeões estaduais. Seria a Liga dos Campeões do NE. Um campeonato mais rentável que o estadual. E para as equipes do interior poderia ser feita a série B do NE, como a Copa da UEFA na Europa, que é a série B da Champions League. Outra data possível poderia surgir no segundo semestre, durante a Copa Sul-Americana, onde não há representante do NE.

Foi só uma sugestão, podem discordar, concordar ou sugerir suas próprias soluções. O que não podemos é ficar algemados a um campeonato que pouco acrescenta aos grandes clubes, nivelados por baixo com as equipes pequenas. Afinal, só seremos grandes quando disputarmos contra outros grandes.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Esse tal marketing esportivo.

No universo do futebol como negócio, um dos principais responsáveis pelo crescimento econômico dos clubes é exatamente o Marketing Esportivo. Apesar de ainda estar engatinhando no Brasil, este tipo de ação vem crescendo muito ultimamente. Mas, se compararmos com os grandes clubes europeus, que têm no Marketing uma das principais fontes de renda, os brasileiros ainda precisam investir muito.

No Brasil, o crescimento econômico está muito atrelado às vitórias do time. Quando o clube é campeão tem um acréscimo no público, na renda, nos patrocínios. Mas, quando os resultados não aparecem o efeito é exatamente o contrário. Uma campanha de marketing visa o crescimento da marca e a busca de rendas alternativas, independentemente dos resultados dentro de campo, sempre imprevisíveis.

Temos como exemplo o Real Madrid, que entre 2003 e 2007 não venceu nenhum campeonato, mas cresceu muito economicamente, tornando-se o clube mais rico do mundo. Um exemplo brasileiro, em 2008, é o Corinthians, que apesar de ter caído à série B do Brasileirão, investiu no marketing e vem conseguindo excelentes resultados. O novo projeto apresentado pelo Timão incluem: a "Timão TV", a Agência Corinthians, o Fiel Torcedor e uma parceria com um grande estúdio para a comercialização de CDs e DVDs do clube.

A criação de TVs pela internet, dentro dos clubes, é um excelente investimento, que já existe nos grandes clubes europeus, no Flamengo e agora no Corinthians. Clubes pernambucanos, Sport e Nautico, já anunciaram a implementação desse projeto. Para se ter uma idéia da importância deste investimento, note que a Timão TV, em menos de 2 horas, teve cerca de um milhão de acessos, e a Fla TV, segundo o presidente do rubro-negro carioca, pretende faturar R$ 6 milhões por mês com as mensalidades.

Mas, marketing é, acima de tudo, uma valorização da marca e do torcedor. Um outdoor comemorativo é apenas uma propaganda, marketing mesmo é o que traz crescimento. Uma loja, uma campanha de sócios, uma TV, além de inúmeras outras idéias. O importante é ser criativo, e assim gerar novos tipos de renda ao clube. Mas, ter quinze diretores no departamento de marketing não significa profissionalismo, muito pelo contrário, tanta interferência só inibe a criatividade.

O torcedor é um ávido consumidor, ele quer gastar dinheiro com o seu clube, desde os ingressos até as camisas do clube. Profissionalismo e marketing no futebol é oferecer ao consumidor a oportunidade de gastar seu salário com o clube do seu coração.