terça-feira, 15 de julho de 2008

Ronaldinho é do Milan.

Ronaldinho Gaúcho, depois de muita especulação, finalmente definiu seu futuro. O craque vai jogar pelo rubro-negro italiano na próxima temporada. De acordo com o jornal "Mundo Deportivo", o Milan vai pagar ao Barcelona € 21 milhões (R$ 53,2 mi) mais variáveis que podem chegar até € 4 milhões (será pago este valor integral caso o Milan consiga vaga na Liga dos Campeões com o craque) para levar Ronaldinho.

Com a abertura da janela de transferências na Europa, o mercado da bola está mais movimentado do que nunca. Além das transferências locais, muitos sul-americanos estão seguindo para o velho continente. Mas, claro, outros fazem o caminho inverso e retornam a seus países.

Confira a movimentação do mercado da bola no globoesporte.com:
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL645205-9842,00-VAIEVEM+DO+MERCADO+EUROPEU.html

Rodada de clássicos é a mais lucrativa.

A 11ª rodada foi a que teve maior público no campeonato brasileiro até agora, e consequentemente, a maior arrecadação. Tudo isso se deve aos clássicos regionais que foram disputados. Destaque para o jogo entre Flamengo e Vasco, o clássico carioca teve o maior público e a maior renda do campeonato até então.

A média de público foi de 21 mil pessoas. A arrecadação bruta da rodada foi de R$ 3.233.560,50 sem contar com o jogo entre Atlético Paranaense e Internacional, cujo borderô não está disponível no site da Confederação Brasileira de Futebol. Dessa forma, a média prévia é de R$ 359.284,50, mais que a do ano passado (R$ 212.309,94).

O jogo entre Náutico e Sport apresentou renda inferior à média da rodada. Mas, vale ressaltar que os ingressos do programa "todos com a nota" não entram nesta contabilidade. Os clubes só recebem o valor dos ingressos trocados no final de cada mês.

De qualquer forma, o que fica é o exemplo de crescimento do futebol nacional. Os torcedores estão comparecendo e os clubes aumentam suas arrecadações a cada dia. Só falta aprender a aproveitar isso.

Fonte: http://maquinadoesporte.uol.com.br/v2/noticias.asp?id=9911

Colônia de férias.

Todos os anos o Milan, da Itália, monta no Brasil o "Milan Junior Camp", um acampamento de férias onde as crianças treinam futebol com técnicos das categorias de base do Milan. Os jovens desembolsam entre R$ 1.650,00 e R$ 2.000 por uma semana no acampamento. Além da acomodação, alimentação e treinamento, os jovens recebem uniformes do clube italiano e concorrem a uma viagem para Milão.

Ao contrário do que alguns possam pensar, esta não é uma forma de descobrir novos talentos, é uma ação de marketing. O projeto é dirigido a crianças de alta renda, futuros consumidores da marca. Esta ação visa criar um laço de identificação entre a criança e o clube, conquistando novos torcedores e expandindo a visibilidade da marca.

No Brasil, o Coritiba lançou algo parecido. Uma colônia de férias com treinamentos de futebol para a garotada, desenvolvida no centro de treinamento do clube. É uma boa ação de marketing, conquista e fideliza os jovens, criando uma identificação entre a criança e o clube.

Bom exemplo para os que pensam que o marketing esportivo se limita à criação de produtos com a marca do clube.

Confira o site: http://www.milanjuniorcamp.com.br/html/index.htm

Vale a pena conferir também o texto de Maurício Bardella no Blog Futebol & Negócio: http://futebolnegocio.wordpress.com/

Projeto de lei quer aumentar a multa para conter o êxodo.

A maior reclamação dos clubes brasileiros na última década é com relação à Lei Pelé e o fim do passe. Com o crescente êxodo de atletas para o exterior, os clubes vêm pressionando o governo para que faça alterações na lei. A intenção é barrar a transferência de atletas muito jovens para o exterior.

Mas, o projeto de lei que tenta alterar a norma vigente não inova muito. Aumentar o valor da multa, essa é a intenção dos legisladores. Para os atletas profissionais o limite passaria de: máximo de 100 vezes a remuneração anual (lei atual); para um máximo de 2 mil vezes a remuneração mensal (projeto). Porém, vale ressaltar que, nas transferências internacionais, a cláusula penal não tem qualquer limite, nem na lei atual nem no projeto.

Primeiro, os próprios clubes querem vender seus atletas para gerar receita, isso é fato. Segundo, se o problema do êxodo é referente à transferência para outros países, então de que adianta elevar a multa para transferências internas? O limite da multa para transações entre clubes brasileiros e estrangeiros não tem limite, nem nunca terá, é pactuada em contrato e nada mais.

Trabalhar fora do Brasil não é privilégio dos atletas, é desejo de todos que querem ganhar mais e ter uma melhor qualidade de vida. Qualquer cláusula que impeça a transferência de atletas maiores de 18 anos será considerada inconstitucional.

O problema dos nossos clubes, como eu já escrevi milhares de vezes, não é a lei. O problema dos nossos clubes é o amadorismo, a falta de visão e a corrupção. Nunca seremos capazes de conter o ímpeto dos grandes clubes europeus, nem queremos, já que a venda dos atletas é uma das maiores receitas dos clubes.

Os jogadores vão para a Europa, ou outro país, não pela falta de uma lei, mas por vontade própria. Da mesma forma, qualquer trabalhador que receba uma proposta assim tentadora também mudaria de país. Está na hora de parar de reclamar e melhorar a postura, nenhuma lei será capaz de deter o poder do dinheiro.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

A força do clássico na derrubada de técnicos.

Todos já conhecem bem a cultura brasileira com relação aos treinadores, se vencer fica, se perder cai fora. E nenhuma partida tem mais importância para a manutenção ou derrubada de um técnico do que o clássico regional.

Em uma rodada do Campeonato Brasileiro recheada de clássicos, muitos treinadores começaram a sentir a terra tremer debaixo de seus pés. A maioria deve se manter, porém, um novo tropeço poderá ser a ruína.

Para o técnico do Náutico, Leandro Machado, talvez não exista uma segunda chance. O técnico sempre dividiu opiniões nos Aflitos, e uma grande parte da torcida já pedia a sua saída. A vitória contra o São Paulo deu novo ânimo ao treinador, mas a derrota no clássico poderá ser mesmo a sua última.

O clássico dos clássicos, como é conhecida a partida entre Náutico e Sport, é responsável por muitas demissões. No Náutico, o passado recente já prova. Em 2006 caiu Paulo Campos, em 2007 foi a vez de Paulo Cesar Gusmão, agora, em 2008, a vítima pode ser Leandro Machado.

Em um campeonato de pontos corridos tão longo quanto o Campeonato Brasileiro, um clássico vale tanto quanto qualquer outro jogo, 3 pontos. Mas, para as torcidas e para os dirigentes dos clubes, um clássico é mesmo um campeonato à parte.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

E o "passe" ainda existe?

A justiça determinou o retorno de Elder Granja, do Palmeiras, para o Corinthians de Alagoas. Segundo a decisão, a Portuguesa, que contratou o jogador junto ao clube alagoano, não teria pago a indenização correspondente ao "passe" do jogador, em 2001. Ele havia conquistado, na justiça, o direito de se transferir. Mas, agora, sete anos depois, a justiça anulou a decisão.

Acórdão, por unanimidade conhecer o recurso de revista por violação ao artigo 11, da Lei 6.354/76*, a Ministrar relatora, Maria Cristina Peduzzi da provimento para julgar improcedente pedido de liberação do passe do atleta profissional Elder Silva Granja. Em função dessa decisão, o Juiz da capital de Maceió, da 2ª vara do trabalho, doutor Luís Fernando de Carvalho, decide que o atleta Elder Silva Granja deverá retornar imediatamente ao Sport Clube Corinthians-AL, perdendo assim a condição de jogo legal para atuar na Sociedade Esportiva Palmeiras.

Mas, segundo a CBF, o assunto será discutido fora da esfera desportiva. O atleta continuará com contrato com o Palmeiras, podendo defender o clube no Campeonato Brasileiro. A indenização a que o Corinthians-Al tem direito será resolvida entre o clube e a Portuguesa, que contratou o atleta.

*Art. 11 Entende-se por passe a importância devida por um empregador a outro, pela cessão do atleta durante a vigência do contrato ou depois de seu término, observadas as normas desportivas pertinentes.
(Este artigo foi revogado expressamente pela Lei 9.615/98, e o "passe" teve fim, definitivamente, em 26 de março de 2001.)

Superlotação no Arruda.

Na noite desta quarta-feira, enquanto o Santa Cruz vencia o Central dentro de campo, nas arquibancadas os torcedores se expremiam e sofriam com a falta de espaço. Com o anel superior ainda interditado, apenas o anel inferior do Arruda abrigou os torcedores corais. A capacidade, só desta parte do estádio, é de cerca de 25 mil pessoas.

Ontem, o público foi de 25.459, mas há quem diga que havia cerca de 30 mil pessoas no estádio. Devido ao aperto, muitas pessoas precisaram de atendimento médico, mais de 150 pessoas foram retiradas das arquibancadas pelos bombeiros. E tudo isso foi registrado pelas câmeras de TV.

Segundo o Estatuto do Torcedor, o Santa Cruz pode ser punido com a perda do mando de campo por, no mínimo, seis meses. Eis o que diz a lei:

Art. 23 (...)
§ 2º. Perderá o mando de jogo por, no mínimo, seis meses, sem prejuízo das demais sanções cabíveis, a entidade de prática desportiva detentora do mando do jogo em que:
I - tenha sido colocado à venda número de ingressos maior do que a capacidade de público do estádio; ou
II - tenham entrado pessoas em número maior do que a capacidade de público do estádio.

Não peço uma punição ao Santa Cruz, nada disso. Mas esses abusos, esse constante desrespeito com o torcedor, tem que acabar. Enquanto reclamam da violência das uniformizadas, esquecem da irresponsabilidade dos dirigentes dos clubes. Respeitar o torcedor é mais do que profissionalismo, é uma questão de cidadania.

Africa do Sul ameaçada.

A anfitriã da Copa do Mundo de 2010 vem sofrendo com os atrasos nas obras, e isto pode lhe custar caro. O país africano está ameaçado de não sediar a competição. Alguns estádios não ficarão prontos para a Copa das Confederações, em 2009, que serve como teste, entre eles o Estádio Nelson Mandela.

Este atraso nas obras fez com que o presidente da FIFA, Joseph Blatter, anunciasse um "plano B". Caso a copa não tenha condições de ser realizada na África, o destino deve ser a Inglaterra. Os ingleses já possuem vários estádios prontos para sediar a competição, além de uma excelente estrutura de transportes públicos. Assim, parece ser mesmo a melhor opção de fuga.

Que fique a lição para o Brasil, sede da Copa de 2014, que ainda nem definiu as sub-sedes. O atraso não será perdoado. Mas, ficamos na torcida para que os africanos consigam cumprir os encargos e entreguem os estádios a tempo de sediar a maior competição de futebol do planeta.

terça-feira, 8 de julho de 2008

O início do fim da cartolagem.

A saída de Eurico Miranda do Vasco e do Clube dos 13 pode ser considerada a anunciação de que o fim está próximo. O fim da cartolagem, do amadorismo, da corrupção. Talvez demore mais do que se espera, mas é algo que está fadado a acontecer.

A evolução do futebol brasileiro é visível, embora seja lenta. O Campeonato Brasileiro já não muda mais suas regras a cada ano, as viradas-de-mesa parecem ter acabado, investidores internacionais voltam anos olhar com bons olhos, clubes investem em marketing e dirigentes cada vez mais profissionais os assumem.

Ainda falta muito para atingirmos o objetivo. Mas, esta evolução recente é prova de que estamos no caminho certo. Porém, muita coisa ainda precisa mudar, como a divisão das verbas de transmissão dos jogos, o monopólio do Clube dos 13, o bairrismo dos poderosos e a postura amadora dos dirigentes, que não administram os clubes como grandes empresas que são, mas como padarias de subúrbio.

Ainda falta valorizar o torcedor, ainda falta enxergar o clube como uma empresa, ainda falta visão de que o futebol pode ser o produto mais importante deste país. Falta acabar com a violência, falta acabar com asdívidas trabalhistas, falta respeitar os contratos firmados, falta bastante profissionalismo e vergonha na cara.

O esporte, que um dia foi jogado descalço em campos de terra, hoje recebe patrocínios milionários, é transmitido ao vivo para todo o país e vê seus estádios crescerem e se modernizarem à espera de uma Copa do Mundo iminente. E os cartolas que antes desviavam o dinheiro do clube, hoje são fiscalizados pela própria torcida (nem tanto assim).

Ainda nos resta um longo caminho a percorrer, mas os novos cartolas que virão acrescentarão cada vez mais a visão profissional ao esporte. Muitos hoje já estudam o direito desportivo, o marketing desportivo, a gestão desportiva, e um dia estes serão os líderes do movimento pró-evolução.

É o começo, ainda é o começo, mas o futuro é dos bons.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Cenas lamentáveis em Campina Grande.

Na estréia do Santa Cruz na terceira divisão, pior do que a derrota, foram as cenas lastimáveis de violência entre as torcidas dos dois clubes. Antes do jogo, do lado de fora do estádio, o que se viu foi muita correria, torcedores atirando bombas e pedras, armando-se com paus e até facões. Nas arquibancadas, a torcida coral entrou em confronto com a polícia e as cenas de violência foram registradas pelas câmeras de TV, para que todo mundo pudesse ver.

Eu pergunto: até quando? Até quando precisaremos ter medo de ir aos estádios? Até quando a polícia vai continuar agindo como se fossem marginais? Até quando vândalos usarão as cores de um clube para justificar a violência? Até quando estes marginais permanecerão nos estádios? Até quando os clubes, federações e poder público permanecerão omissos?

Estamos sempre pedindo iniciativas do poder público, sempre querendo novas leis, mais rígidas. Mas, quem são os maiores interessados em acabar com a violência? Ora, os bons torcedores e os clubes. E o que é que os clubes fazem para acabar com a violência? Nada. Mas, alguém sabe quem são os responsáveis pela violência? Sim, os uniformizados. Então, o que falta?

Falta aos clubes reconhecerem que eles são os maiores interessados em acabar com a violência. Falta começar a agir em vez de esperar a ação do poder público, até porque, este não costuma ser muito rápido nas suas ações.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Surfe no Extracampo.

Quem disse que esse blog é só sobre futebol? Pois, agora é a vez do surfe, e não se surpreenda, pois este esporte é um dos mais importantes da atualidade. Mais do que uma modalidade esportiva, o surfe é um estilo de vida, de agir, se vestir, se portar, até para os que não praticam o esporte, mas gostam da "vibe".

Será realizado nos dias 9 a 12 de julho, em São Paulo, o Festiv'Alma. O evento vai expor a arte, o cinema, a música e principalmente os negócios do esporte, que segundo seus organizadores movimentam cerca de US$ 3 bilhões (R$ 4,7 bilhões) no Brasil e aproximadamente US$ 40 bilhões (R$ 63,4 bilhões) no mundo.

O surfe deve ser o esporte que mais cresceu nas últimas décadas. Uma prática que antes era discriminada, hoje rende bilhões de dólares e influencia a cultura dos jovens em todo o mundo. Como bem diriam os sufistas: "surfe não é esporte, é estilo de vida".

Confiram o vídeo promocional do evento no blog da Máquina do Esporte:
http://blogdamaquina.zip.net/arch2008-06-29_2008-07-05.html#2008_07-02_18_23_47-128520540-0

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Novo estádio do Palmeiras.

O projeto de reforma do estádio Palestra Itália foi aprovado. A transformação em uma arena multi-uso, nos moldes europeus e cumprindo todos os encargos da FIFA, custará cerca de R$270 milhões. A capacidade será de 42 mil pessoas e o projeto pode ser concluído já no final de 2009. A diretoria apresentou o vídeo abaixo para divulgar o projeto. Confiram:



O exemplo deve ser seguido por outros clubes. Como já escrevi várias outras vezes, ter uma arena deste porte, com restaurantes, lanchonetes, centro de convenções, etc, não é um custo, é um investimento. Só assim os clubes poderão tirar o máximo proveito dos seus torcedores. Futebol é negócio, e um negócio milionário, infelizmente alguns ainda adminisram clubes como se fossem padarias.

C13 e Globo assinam contrato sem Flamengo, São Paulo e Corinthians.

Nesta terça-feira foi fechada a negociação sobre os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro em pay-per-view, TV fechada e placas de publicidade pelos próximos três anos. Os acordos, especialmente o último, ainda não têm o apoio das três maiores torcidas do país, Flamengo, Corinthians e São Paulo, que negociam com a SmartVision, dona da maior proposta.

A empresa canadense havia sido desqualificada pelo C13 por não apresentar garantias de pagamento dos R$ 165 milhões referentes às placas de publicidade. A Globo acertou com o C13 por R$90 milhões.

"Nós não aceitamos porque existe uma proposta maior que a que foi aprovada, e a gente quer o melhor para os nossos clubes. Não tem como mostrar garantias de um contrato que não está assinado. Resolver isso é simples. É só fazer uma cláusula que indique rompimento no caso de inexistência do aval", disse Marcelo Portugal Gouvêia, diretor de planejamento do São Paulo, em entrevista exclusiva à Máquina do Esporte.

Há tempos que os grandes clubes brasileiros se mostram insatisfeitos com os contratos de transmissão do campeonato. Enquanto isso, os menores ainda reclamam da forma com que a verba é dividida. O certo é que veremos mudanças no futuro, para o bem do futebol. Minha maior crítica ainda permanece, a presença dop Clube dos 13 nas negociações e os critérios adotados na divisão das cotas.

Fonte: http://maquinadoesporte.uol.com.br/v2/noticias.asp?id=9770

terça-feira, 1 de julho de 2008

Flamengo pede punição ao Sport e à PM.

Mais um episódio envolvendo a polícia pernambucana virou notícia. Na partida entre Sport e Flamengo, no último domingo, um policial foi até o vestiário visitante, após a partida, para prender o jogador Marcinho, que teria atirado um copo de água na torcida. Mas, a vítima não apresentou queixa e o atleta ficou livre.

A atitude da polícia só prejudica o futebol pernambucano. Desde quando jogar água é crime? Agora vai virar moda a PM prender jogadores? E queriam prender em flagrante um atleta por conta de uma denúncia do torcedor, sem que esta fosse apurada. Sinceramente, esta é uma das estórias mais absurdas que eu já ouvi no futebol.

Mas, a atitude do Flamengo em querer interditar a Ilha do Retiro por este fato é ainda mais absurda. Se o Náutico foi absolvido depois de toda aquela confusão, por que haveria punição ao Sport em um episódio sem grandes consequências e que, no fim, acabou em nada? Será que já querem declarar guerra contra Recife de novo?

Porém, em um ponto eu concordo com os flamenguistas, a atitude da polícia foi absurda, sem fundamento algum. Está na hora dos clubes pernambucanos sentarem com o comando da PM e resolverem algumas questões. Enquanto PMs se preocupam em prender jogadores de futebol por arremessarem copos de água na torcida, baderneiros uniformizados fazem arruaças pelas ruas da cidade. Está na hora de começar a prender os marginais que levam a violência e o medo para os estádios, deixando os atletas para a Justiça Desportiva.


Deputado propõe mudança do STJD para Brasília.

Recebi da assessora de imprensa do deputado Bruno Araújo a seguinte nota:

"A sede do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) poderá ser transferida para a capital federal. O deputado pernambucano Bruno Araújo (PSDB) é autor de projeto de lei 3586/2008, já em tramitação na Câmara Federal que propõe a mudança da sede do tribunal do Rio de Janeiro para Brasília. Segundo o deputado, na justificativa do projeto, "o deslocamento da sede do STJD para a Capital Federal, assim como ocorre com os órgãos superiores do Poder Judiciário, certamente lhe conferirá maior imparcialidade, tendo em vista que o distanciará dos grandes centros futebolísticos nacionais e, ao mesmo tempo, o aproximará de centros de poder acostumados com a independência que deve nortear a conduta de todos os que têm incumbência de compor conflitos intersubjetivos". O projeto propõe em seu artigo art. 1º, o acréscimo do § 3º ao art. 52 da Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998, também conhecida como Lei Pelé, que passará a ter a seguinte redação: "Art. 52 § 3º O Superior Tribunal de Justiça Desportiva tem sede na Capital Federal e jurisdição em todo o território nacional. Se o projeto for aprovado e se transformar em lei, a mudança da sede do tribunal deverá ocorrer no prazo máximo de um ano a partir da publicação da nova legislação".

O problema é que o deputado desconhece pontos importantíssimos da nossa legislação.

Primeiro, a imposição proposta é inconstitucional, uma vez que o art. 217, I da CF prevê autonomia de organização e funcionamento das entidades desportivas.

Segundo, os STJDs não são órgãos do poder judiciário, são tribunais arbitrais ligados às confederações, que são pessoas jurídicas de direito privado. O Estado não pode impôr o local da sede de uma instituição privada.

Terceiro, o STJD do futebol, vinculado à CBF, julga apenas as questões da modalidade. Cada confederação possui o seu próprio STJD, na natação, no baquete, no vôlei, etc. A lei Pelé, apesar de ter nome de jogador de futebol, diz respeito a todos os esportes. Assim, a mudança proposta pelo deputado implicaria na transferência de todas as confederações e todos os STJDs do Brasil, nas diversas modalidades.

A conclusão é de que a proposta é totalmente inviável, além de inconstitucional, ilegal e arbitrária. A intenção pode até ter sido boa, mas a execução foi lamentável. Enquanto isso, o desporto nacional continua carente de boas leis em pontos cruciais.